não pira, menina

Esqueça o que não é.
O que te parece grande demais, talvez nem seja.

Esqueça os amontoados que nada são
a não ser
silêncios
e, em paz, olhe para o agora.
Para o que vem,
para o que nasce,
para o que aparece sem que esperes.

Concentra, respira.
E não pira, menina, não pira.
Não embole nas suposições
de um futuro que nem sequer sabes.

Saboreie,
menina,
saboreie.
Cada nascer de sol e possibilidade de flor. Cada encontro tecido ao acaso
mas que nunca
é ao mero acaso.

Incendeie suas manhãs de brisas mansas.

E olhe, sem julgar,
só olhe para o que há.
Retire os filtros, menina.
Os mirabolantes sonhos.
Sonhe o aqui, menina.
Sonhe o agora.
Porque ele está aqui, sabe?
Aqui, só.

Porque o tempo
– este misterioso –
não pode ser mais ontem que hoje.
Porque o tempo
– este miraculoso –
não clama por futuro maior que presente.
Tempo, menina.
Agoras.

Presenteie.
Uma flor um abraço um sorriso uma história um mundo.
Presenteie os mundos que te aparecem
com teu pequenino mundo.

E que isso seja o bastante,
menina,
o bastante para recomeçar.
Porque toda manhã merece começo.
Toda manhã
merece
renascer,
menina.

E a grandeza está aí, só aí,
no pequenino nascer de cada manhã.

 

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