entre copos e corpos

A noite chega inocente
feito filho.
Atravessa.
O violão soletra cada pulso meu
e dançamos
como dançam certos ventos
com certas árvores
e folhas e brisas e bisas e cabelos e lençóis no varal da varanda do mundo.

A moça ali de amarelo
a barba do violão
os dedos que apalpam o corpo invisível
do tempo.
E toda cerveja nas mãos erguidas
tilintam em um som parecido com saudade.

Eu queria
– ah, queria –
não dar desfeita ao agora
e mergulhar como mergulham certas primaveras.

Eu queria
– ah, queria –
enxergar toda teia de passado presente futuro que se enlaça aqui,
nessa sala,
agora
agora
agora.
Em cada agora nascente,
em cada toque.

Mas… sabe?
Toda essa eternidade
esse fio de violão pelo chão
esse tambor com mão com mão com mão
lembram mesmo é que nada finda
– meu bem.
Nada finda e é só fresta
(sabe..?)

Que a cerveja o tempo e a dança
são só pretextos
– meu bem.
Pre
tex
tos
para estar
e seguir
em encontros.
Encantos.
Em cantos.

Atravesse essa sala
atravesse esse tempo
esse som
e esse chão que pulsa junto
com a gente com o copo com o corpo com o
(sangue)
…sabe..?

E tá. Tá.
Atravessemos a madrugada assim, então.
Em punho firme em pandeiro quente em cerveja multicor de copos que se entrelaçam na mesa
qual meu?
qual meu?
qual meu?
nem importa.
Nem.
São nossos
os copos os corpos os sons
nada teu nada meu
tudo.
Meu
bem.

E esse é o fim do primeiro ato.
Do primeiro ato e do segundo fato.

E só para que não nos esqueçamos
estamos aqui, carnaval, comitê, coragem.
Cor
agem
.
E rimos
– sim, assim.
Só para lembrar dos horizontes
(ah!)
entre goles de cerveja
e temporais de ventos fortes.
Ah.

E fim, só para que não acabemos.
Sim.

Deixe uma resposta